quarta-feira, dezembro 21, 2011

[Resenha] Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco

4 Comentários
Autor(a): Camilo Castelo Branco
Editora: Ática
Ano: 1862 (primeira edição)
Páginas: 119 (19ª edição    Ática)
Nome original: - 
Coleção: -
Sinopse: 
Clássico português de Camilo Castelo Branco. Simão e Teresa amam-se perdidamente, mas suas famílias não aprovam a relação. Diante de sua recusa em casar-se com o fidalgo Baltazar, a jovem é trancafiada em um convento pelos pais, para afastá-la do amado. Este, por sua vez, é enviado para Lisboa. Como sobreviverá esse amor marcado por desventuras e desencontros?


Resenha:
Hum, um clássico. Milagre, não? Não é que eu não goste desse estilo de livros, mas é que simplesmente já fico atolada com meus próprios livros que, se eu me meter em algum "Desafio Clássico" (como o do NUPE), vou acabar lendo ainda menos do que estou... Ok, de qualquer forma, eu li Amor de perdição por causa da escola e não me arrependo.
Simão Botelho e Teresa Albuquerque são jovens que, apesar de suas famílias    seus pais, na verdade    se odiarem até a morte, acabam se apaixonando. Um pouco como Romeu e Julieta? Sem dúvidas, não dá para não comparar. Mesmo nos dias de hoje, quando lemos algum "amor proibido", lembramos dos eternos sofredores. Então, eu não estava muito animada. Quero dizer, eu até curto a história de ReJ, mas honestamente? Se matar? As pessoas daquela época não eram muito inteligentes... Por que não combinar tudo certo e, no final, acabar fugindo? Ok, ok. Esqueça minha opinião, não teria história se eles seguissem isso.
Quando comecei a ler, a primeira coisa que "barrou" a leitura foi, obviamente, a linguagem arcaica. A história foi escrita dois séculos atrás e, apesar de ter algumas palavras não usadas atualmente, esse não foi o problema. Uma das coisas que o autor usava praticamente o tempo todo era o "hipérbato"    para quem não sabe, é uma figura que inverte o objeto com o sujeito; ex: "A maçã eu comi"    e isso dificultava as coisas, porque nós raramente falamos assim. Mas, depois que você lia um pouco, acabava se acostumando e no final das contas, a linguagem não atrapalhou mais.
A história, em si... É boa. Na minha opinião, não tem nada de mais pra se tornar o "clássico" que se tornou, porque não foge do lugar-comum desse tipo de história (com os protagonistas morrendo no final). Mas não é ruim. Simão é um jovem que, atualmente, seria considerado um "bad boy", porque sempre está arranjando confusões e é apaixonado ao extremo por Teresa, a ponto de fazer qualquer coisa por ela. Eu não gostei muito dele, achei meio "cabeça-dura". Já Teresa é a mocinha da história... Nós a vemos menos na história do que Simão, o que eu não gostei, porque as partes com ela eram mais legais. Temos, então, o terceiro vértice desse triângulo amoroso    o diferencial entre o livro e Romeu e Julieta, para mim   , Mariana. Ela é, literalmente, uma pobre coitada, filha de um cara (João da Cruz) que abriga Simão quando ele vai para Viseu, a cidade onde Teresa mora. E eu gostei dela! O que é incrível, porque detesto essas personagens que põem tudo na frente de si mesma para a felicidade do amor... Mas, mesmo assim, Mariana foi uma personagem que eu me conectei. A única, na verdade (Aliás, não é um triângulo amoroso, HAHA, é um quadrado, porque tem o pretendente da Teresa, seu primo Baltasar. Mas ele nem a "ama", então vamos considerar apenas o triângulo).
Foi uma leitura diferente, acima de tudo. Fugiu das coisas que normalmente leio e foi bom. Nem de longe me fez ter vontade de ler outros livros do Camilo Castelo Branco, mas quem sabe em 2012 eu leio mais clássicos? Enfim, se você acha que vai gostar, leia. Pode ser que você goste mais que eu =)


(Três estrelas    8,0)

4 comentários:

  1. Eu não conheço muito sobre os livros clássicos de Portugal, então muito obrigado por essa resenha. É uma historia interessante.

    As pessoas da época do Romeu e Julieta não eram muito inteligentes, sim, mas hoje a maioridade das pessoas são sim? :) Infelizmente, hoje há muitas pessoas que fazem coisas doidas pelo amor.

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  2. "Amor de perdição" é uma das poucas obras literárias portuguesas que eu li, e não me arrependo nem um pouco. Apesar da incrível semelhança com Romeu e Julieta, o Camilo Castelo Branco garantiu um tom profundamente passional à sua história, fazendo jus à proposta estética do Romantismo e nos presenteando com uma história excelente. Li o livro na metade de 2010, e a cena final não sai da minha cabeça até hoje.

    Ainda que você tenha lido "Amor de perdição" por causa da escola, achei admirável a atitude de resenhá-lo por aqui. É bom, de vez em quando, esbarrar em blogs que não têm receio de resenhar clássicos.

    Grande beijo!
    Livros, letras e metas

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  3. Esse é um livro que quero muito ler há anos. Tenho uma edição meio "capenga", da biblioteca da Folha, mas nunca cheguei a lê-la. E digo capenga porque a encadernação é de péssima qualidade - você abre o livro e as páginas vão soltando. Bom, quem sabe um dia eu tome coragem de encarar essas páginas caindo e leia essa edição (ou então talvez eu compre uma edição mais novinha e menos irritante de manusear).

    Bjs
    escrevendoloucamente.blogspot.com

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  4. Tenho esse livro aqui em casa, pois minha irmã teve que ler para a escola também mas nunca o li.
    Porém já li Romeu & Julieta e Hamlet também, então sei que nos clássicos - pelo menos de Shakespeare - o maior atrativo não é a história em si, mas o que eles dizem, como os personagens se comportam etc.
    E realmente, não os acho ''burros'', na época em que vivemos as pessoas se matam por muito menos :/
    E acho que é bem interessante ler com a linguagem antiga, deixa tudo mais poético, na minha opnião, rs.

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