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Eu já falei umas mil vezes aqui no blog, mas minha atual meta de leitura é ler os oito livros obrigatórios da FUVEST 2016 (desses oito, só falta um! Yey!). Então, cá estou pra resenhar mais um deles: O cortiço, um clássico brasileiro, representando o Realismo/Naturalismo. Dois anos atrás, eu tinha lido a versão HQ desse livro, mas, pra ter a experiência completa mesmo, resolvi ler o livro em si, e olha, eu gostei da experiência.

Eu nunca tinha lido nada do Machado de Assis até hoje (sim, é um fato vergonhoso), mas, já que eu estou no último ano do colegial e esse livro está na lista de leituras obrigatórias das grandes universidades de São Paulo, eu acabei tendo que ler.


Não é costumeiro vocês me verem resenhando livros clássicos – talvez porque eu não sou fã deles, talvez porque simplesmente acho que eles passam essa aura de “leitura obrigatória” (graças ao vestibular), que eu odeio e que faz com que a leitura não flua tão bem quanto eu gostaria. E, claro, tem a terceira opção: os que eu li, apesar de não serem ruins, não eram livros que me fizeram pensar “nossa, certamente os clássicos brasileiros não são tão ruins assim!”, porque, geralmente, eles são simplesmente ok (eu sei que tem muita gente que curte esses livros, não estou criticando, estou apenas deixando minha opinião sobre eles).

Então, é. Eu li Memórias de um Sargento de Milícias porque tinha uma prova importante de português sobre ele (que, aliás, eu tirei 9,5). Eu não tinha curtido muito outro clássico que li para a prova, Amor de Perdição, por isso não estava muito animada para ler esse. Porém, os dois não têm nada em comum (tirando o fato de serem clássicos)!

Memórias é muito mais puxado para a ironia e a comédia, enquanto o outro, para a tragédia. A história é basicamente sobre as peripécias de Leonardo, um jovem incrivelmente encrenqueiro, que vive se metendo em confusões com a polícia, com a família, com os compadres... Seu pai foi embora de casa, após uma forte discussão com a mãe, que também acabou fugindo com o amante. Por sorte, D. Maria, uma senhora rica, meio que o adora, e o trata como filho, sempre tentando tirá-lo das encrencas.

O livro tem um começo um pouco chato, porque ele mostra os pais de Leonardo, sua relação, uma coisa que, apesar de ser necessária, não é lá muito interessante. Quando, finalmente, ele vai viver com o padrinho, um barbeiro, as coisas começam a ficar interessantes. A narrativa é bem irônica e me deixou curiosa com a história. Temos até um pouco de romance, quando D. Maria “adota” uma moça, Luizinha, que acaba sendo o primeiro amor de Leonardo. Até torci pelos dois acabarem juntos (vivos, hahaha), o que mostra que o livro acaba nos entretendo.

Achei bem legal a forma que o autor contou sobre as encrencas que o Leonardo se metia, porque eram, na sua maioria, aventuras que, mais do que “perigosas”, eram engraçadas – e sempre acabavam de uma maneira inusitada. O protagonista se mete em confusões até mesmo quando começa a andar com a “patrulha” da cidade! Aliás, Leonardo é alguém que é um pouco atrevido, encrenqueiro, mas que também é bem desastrado, não sabe lidar bem com algumas coisas, o que resulta em várias cenas divertidas.

Num geral, eu curti o livro. Ele, sem dúvidas, me deixou uma experiência melhor que o anterior! Sem contar que a linguagem é fácil, popular, já que a história em si é popular, que tem como personagens pessoas comuns, comerciantes, empregadas, etc. Na verdade, apesar de ser bem curto, é na medida certa, porque não possui muita enrolação, repetições de acontecimentos, história não se modificando.

É um clássico que conta sobre a vida do povo daquela época, o que, pra mim, foi bem legal. Sem dúvida, não me conquistou pra caramba, não me fez ler que nem louca, mas é uma leitura que pode ser prazerosa. É só uma questão de saber aproveitar as coisas boas do livro e curtir a “viagem”.

(Três estrelas - 8,5)


Autor(a): Manuel Antonio de Almeida
Editora: Ática
Ano: 1989 (16ª edição)
Páginas: 135 (Brasil)
Nome original: -
Coleção: -

Hum, um clássico. Milagre, não? Não é que eu não goste desse estilo de livros, mas é que simplesmente já fico atolada com meus próprios livros que, se eu me meter em algum "Desafio Clássico" (como o do NUPE), vou acabar lendo ainda menos do que estou... Ok, de qualquer forma, eu li Amor de perdição por causa da escola e não me arrependo.

Simão Botelho e Teresa Albuquerque são jovens que, apesar de suas famílias    seus pais, na verdade    se odiarem até a morte, acabam se apaixonando. Um pouco como Romeu e Julieta? Sem dúvidas, não dá para não comparar. Mesmo nos dias de hoje, quando lemos algum "amor proibido", lembramos dos eternos sofredores. Então, eu não estava muito animada. Quero dizer, eu até curto a história de ReJ, mas honestamente? Se matar? As pessoas daquela época não eram muito inteligentes... Por que não combinar tudo certo e, no final, acabar fugindo? Ok, ok. Esqueça minha opinião, não teria história se eles seguissem isso.

Quando comecei a ler, a primeira coisa que "barrou" a leitura foi, obviamente, a linguagem arcaica. A história foi escrita dois séculos atrás e, apesar de ter algumas palavras não usadas atualmente, esse não foi o problema. Uma das coisas que o autor usava praticamente o tempo todo era o "hipérbato"    para quem não sabe, é uma figura que inverte o objeto com o sujeito; ex: "A maçã eu comi"    e isso dificultava as coisas, porque nós raramente falamos assim. Mas, depois que você lia um pouco, acabava se acostumando e no final das contas, a linguagem não atrapalhou mais.

A história, em si... É boa. Na minha opinião, não tem nada de mais pra se tornar o "clássico" que se tornou, porque não foge do lugar-comum desse tipo de história (com os protagonistas morrendo no final). Mas não é ruim. Simão é um jovem que, atualmente, seria considerado um "bad boy", porque sempre está arranjando confusões e é apaixonado ao extremo por Teresa, a ponto de fazer qualquer coisa por ela. Eu não gostei muito dele, achei meio "cabeça-dura". Já Teresa é a mocinha da história... Nós a vemos menos na história do que Simão, o que eu não gostei, porque as partes com ela eram mais legais. Temos, então, o terceiro vértice desse triângulo amoroso    o diferencial entre o livro e Romeu e Julieta, para mim   , Mariana. Ela é, literalmente, uma pobre coitada, filha de um cara (João da Cruz) que abriga Simão quando ele vai para Viseu, a cidade onde Teresa mora. E eu gostei dela! O que é incrível, porque detesto essas personagens que põem tudo na frente de si mesma para a felicidade do amor... Mas, mesmo assim, Mariana foi uma personagem que eu me conectei. A única, na verdade (Aliás, não é um triângulo amoroso, HAHA, é um quadrado, porque tem o pretendente da Teresa, seu primo Baltasar. Mas ele nem a "ama", então vamos considerar apenas o triângulo).

Foi uma leitura diferente, acima de tudo. Fugiu das coisas que normalmente leio e foi bom. Nem de longe me fez ter vontade de ler outros livros do Camilo Castelo Branco, mas quem sabe em 2012 eu leio mais clássicos? Enfim, se você acha que vai gostar, leia. Pode ser que você goste mais que eu =)


(Três estrelas    8,0)


Autor(a): Camilo Castelo Branco
Editora: Ática
Ano: 1862 (primeira edição)
Páginas: 119 (19ª edição    Ática)
Nome original: - 
Coleção: -

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Vou confessar pra você, eu não queria ler esse livro. Por vários e vários motivos. O primeiro é que quem já tinha lido (leia-se minha irmã e minhas amigas) não tinha gostado muito e o segundo, é que era leitura "obrigatória". Não sei se vocês entendem, mas eu detesto, com todas as letras, ler por obrigação. Ler é uma coisa que deve fluir naturalmente, que a gente deve ter prazer fazendo! Na minha opinião, se é pra colocar leituras obrigatórias na escola, é bom colocar alguns clássicos, mas algo atual também faz bem, certo? E não que o assunto desse livro seja bobo, o problema não é o livro. O problema é a maldita leitura obrigatória! Enfim, por esses dois motivos minha animação para com esse livro estava entre pouca e nenhuma. Comecei a ler nas férias, pra ver se o espírito feliz delas me ajudava, e, de certa forma, o livro me surpreendeu.

Com todos os pontos negativos que eu mostrei aí em cima, vocês estão crentes que eu odiei, né? Mas não foi assim (pra minha própria surpresa). A história tem um plano de fundo muito interessante e importante, que é a AIDS, uma doença que não tem cura atualmente, muito famosa, mas que na verdade, pouca gente conhece realmente. Ainda mais pela visão de uma jovem, uma garota que pega a maldita doença com 15, 16 anos. Esse é um dos pontos positivos; foi muito legal e gentil da parte da autora - que é a Valéria do livro, caso vocês não saibam - escrever o livro, numa tentativa de abrir a cabeça dos jovens e não as pernas rs. Ela não dá lição de moral, não fala: "Não transem! Guardem sua virgindade até o casamento!" ou qualquer coisa assim. Acho que isso ocorre principalmente porque ela sabe como é ser jovem, como é querer fazer coisas assim. Não que as outras escritoras não saibam mostrar como a vida do jovem é, mas vocês me entenderam, certo? Alright, vamos seguir em frente.

Valéria é uma garota jovem de 15 anos, rica e que tem vários amigos, além de uma vida social bem agitada. Numa das viagens que faz com a família, num navio, ela conhece o X (ela não fala o nome do cara no livro, acho que é pra "preservar a identidade"), um jovem de 25 anos e começam a namorar. Passados alguns meses, o cara começa a fazer pressão nela e Valéria, com medo de que ele fizesse com outra ou coisa, não sabe o que fazer. Um dia desses, eles ficam juntos... mesmo que Valéria ainda não tivesse certeza se queria ou não. Algum tempo depois, o idiota começa a bater nela, ameaçá-la, mas ela não conta nada pra família, até que eles descobrem por si próprios.
Nas vésperas de ir para os Estados Unidos para passar um tempo com seus tios em Nova York inveja básica aqui, ela vai ao médico e descobre ser portadora do vírus HIV. E muitas outras coisas acontecem, parece ser um livro pequeno, mas há bastante acontecimentos! Por isso, paro por aqui. Não ter noção do enredo foi uma das melhores coisas do livro ;)

Vamos imaginar como a vida da V. ficou agitada depois que descobriu isso... Pra mim, é algo quase impossível, afinal, nunca passei por situação parecida, ou ninguém que conheço. Mesmo assim, eu até que gostei da narrativa dela (em 1ª pessoa, no passado), apesar de achá-la um pouco chata no começo - não me levem a mal, mas logo após descobrir que tinha AIDS, ela ficava pensando somente: "Quando vou morrer? É amanhã? Ah, não vou assumir compromisso nenhum, posso morrer amanhã!", mas eu dei um desconto, porque aqui no Brasil, na década de 80, 90, as coisas eram bem diferentes e tudo associado com AIDS era automaticamente associado com morte. Por isso ela tinha a mente tão deprê, não queria se estabilizar em nada.

Os personagens são vários, a Valéria faz muitas viagens, conhece muita gente e cada um que encontra deixa um pouco da sua cultura e do seu raciocínio com a protagonista - há uma passagem que eu acho linda dela comentando sobre isso, sobre como não devemos ficar tendo preconceitos, julgar as pessoas apenas pela roupa que usam, pela religião que seguem... foi muito boa!

O final do livro foi o que me pegou de jeito. Eu realmente gostei dele, não foi um daqueles finais felizes improváveis, foi real. Foi uma grande surpresa para mim e, apesar de eu ainda não ter amado o livro, ainda não achá-lo a melhor coisa do mundo, me ajudou a aprender coisas muito úteis e boas para a minha vida.

Obs.: sabe o que eu achei mais legal? É que livro foi tão recebido que foi para vários outros países, como a Itália, a Alemanha, Portugal, a Espanha... bom, né?

Nota geral: 8,5 (ou 3 estrelas)

Autor(a): Valeria Piassa Polizzi
Editora: Ática
Ano: 2006 (minha edição, não achei a data da 1ª)
Páginas: 279
Nome original: - 
Coleção: -


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