[Resenha] Vidas Secas, de Graciliano Ramos


É sempre bom variar o tipo de livro que você lê, por mais que muitas vezes isso pareça apenas chato e desnecessário. Eu, por exemplo, não tenho o costume de ler livros clássicos, mas ao mesmo tempo, acho que muitos deles devem ser ótimos (se vocês querem algumas dicas sobre como começar a lê-los, a Bruna do Depois dos Quinze fez um post superlegal sobre isso!). Juntando o útil a minha curiosidade, li mais um livro desse estilo: Vidas Secas, que conta a história de uma família de retirantes no sertão do Nordeste.

É um livro com pouquíssimos diálogos e muitas descrições, o que normalmente se tornaria algo chato para mim, mas, devido a escrita do autor, posso dizer que achei isso uma característica muito interessante do livro, mesmo não sendo um dos meus favoritos, não se pode tirar o mérito pela história muito real e bem feita. Os personagens, por mais que pareçam "simples" numa primeira impressão, se mostram bem mais complicados que isso, justamente porque geralmente representam metáforas que o próprio autor cria sobre o ambiente em que vivem - o sertão nordestino.

O destaque vai para Baleia, a cadela da família, que apesar de ser o único animal irracional, é o que no final das contas mais humanizada é. É impossível não simpatizar com a cachorrinha e se emocionar com seu final, que além de triste, também representa a grande questão para a família: a da sobrevivência.

É claro que não é um livro que todo mundo vai gostar, como sempre. Mas tente tirar da cabeça aquelas palavrinhas que te fazem pensar imediatamente em livro chato - "clássico" e "leitura obrigatória" geralmente estão inclusas - e ler o livro apenas curtindo a história. Aposto que você vai tirar um proveito muito maior da experiência dessa forma.


Autor(a): Graciliano Ramos
Editora: Record
Ano: 1996
Páginas: 155
Nome original: -
Coleção: -

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