[Resenha] A dama do Lago, de Raymond Chandler


O que podemos falar sobre um livro de suspense que tem tantas reviravoltas que você nem sabe em mais quem se pode confiar? Não muita coisa, certo? Por isso, se minha resenha deixar a desejar, não fique brava comigo imediatamente. Um dia você ainda pode ler esse livro e certamente vai me agradecer por deixar alguns "detalhes" de fora.

Phillp Marlowe é um detetive, que é contratado por Derca Kingsley para achar sua mulher, que está desaparecida há certo tempo. Só para avisar, os dois são casados, mas ambos nem se falam mais, sendo que cada um vive sua própria vidinha (cheia de regalias, pois ambos tem bastante dinheiro). A última notícia que teve dela foi um telegrama vindo de El Paso dizendo que se casaria com um de seus amantes, o mulherengo Chris Lavery. Porém, quando o Sr. Kingsley encontra Chris, este diz não ter viajado com sua mulher, o que acaba deixando uma ponta de desconfiança pois, se tivesse mesmo viajado com ela, esfregaria na cara, certo? É o que pensa Kingsley.

E, assim que é contratado, somos apresentados à secretaria de Kingsley, Adrienne Fromsett, morena, bonita, amante - opa, não sabia se podia contar... Brincadeira! :D - e sem aparentemente importância na história. A primeira pessoa que Marlowe visita é Chris, que reafirma a história contada a Kingsley, acabando a visita sem muitas coisas novas. Enquanto fica pensando no seu carro, nota que um senhor, Dr. Almore, fica preocupado com sua presença para, em seguida, chamar um policial valentão, Degarmo, lhe fazer umas perguntinhas. Depois da visita, Marlowe visita a casa do lago que os Kingsley tem, assim conhecendo Bill Chess, um faz-tudo por lá. Sua mulher, Muriel, tinha lhe abandonado e estava quase sempre bêbado (ou assim me pareceu). Depois de conversarem um pouco, vão para a represa/lago e quando Bill mexe uma das pedras - não sei explicar muito bem o que aconteceu - tem a impressão de ver um braço. Humano. Mexe mais um pouco as águas e um corpo boia. O corpo de Muriel... Mas em um estado de decomposição tão grande - pois faz um mês que ela sumiu - que se fosse outra pessoa, ele não saberia dizer. E é depois disso que a história ganha mais aventura. E mais perguntas, como todo boa história de mistério/suspense.

Marlowe é um personagem sarcástico, metido, inteligente, honesto e real. Ele fala merda, ele se machuca, comete erros. Não é perfeito. E suas respostas, quase sempre na ponta da língua, fazem com que o livro fique ainda melhor de se ler. Digno de 4 estrelas, além de um quase perfeito crime :P

Pontos positivos: o mistério foi, pelo menos a mim, completamente insano! Quero dizer, eu não tinha ideia do(s) assasino(s)! Era muitas opções, muitas teorias! MUITO genial!

Pontos negativos: ainda acho que faltou alguma coisa, alguma química, mas não defini o que. Simplesmente é muito bom, mas não chega a ser ótimo. :/

Personagens favoritos: Phillip Marlowe, of course.

Classificação:
Capa e design gráfico: 8,0
História: 9,0
Narração: 9,0
Personagens: 9,5
Final: 9,5
Nota geral: 9,0

Playlist: sabe aquelas músicas que tocam nos episódios de Cold Case quando o crime é de 1980, assim? Então ;)

Passagens favoritas:

1: "- Sim, senhor Marlowe? O Sr. Kinglsey não está, sinto muito.
- Venho a mando dele. Onde podemos conversar?
- Conversar?
- Tenho uma coisa para mostrar-lhe.
- Oh, tem? - Ela lançou-me um olhar desconfiado. Muitos homens provavelmente haviam tentado mostrar-lhe coisas, incluindo águas-fortes. Em outra oportunidade, não me desagradaria fazer uma tentativa também."
pág. 112

2: "Um homem usando o uniforme azul-acinzentado dos guardas da prisão aproximava-se andando ao longo das celas, lendo os números. Parou diante da minha, abriu a porta e me lançou o olhar duro que eles acham que têm de conservar nos rostos para sempre e que significa: 'Sou um tira, irmão, sou durão, olhe onde pisa senão deixo-o de um jeito que vai ter de se arrastar de quatro. Vamos lá, diga a verdade, irmão, vamos lá, e não se esqueça de que somos durões, somos tiras e fazendo o que bem entendemos com pulhas como vocês'."
pág. 155

3: "- Você viu como somos aqui - disse Degarmo. - Simplesmente uma grande família feliz.
- Com sorrisos radiantes nos rostos - disse o sargento do serviço -, os braços abertos dando boas-vindas, e uma pedra em cada mão."
pág. 157

4: "Webber disse em voz baixa:
- Acho que algumas pessoas pensam que somos apenas um bando de corruptos. Creio que pensam que um cara mata a esposa e depois telefona e diz: 'Alô, capitão, tenho um assassinatozinho aqui atravancando meu quarto. Tenho também quinhentos dólares dando sopa'. E aí eu digo: 'Ótimo. Aguente firme que já estou indo com a manta'."
pág. 164

Autor(a): Raymond Chandler
Editora: Abril Cultural
Ano: 1943 (original) / 1984 (Brasil)
Págs: 235
Nome original: The Lady in the Lake
Coleção: -

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