[Resenha] A Playlist de Hayden, de Michelle Falkoff


Eu estava numa ressaca literária daquelas, há pouco tempo. Contudo, eu finalmente me dei conta que estava deixando de fazer uma coisa que eu amo, ler, para ficar olhando pro teto e pensando "não vou passar no vestibular". Com isso, resolvi mudar minha atitude, ler mais sem, ÓBVIO, deixar de lado os estudos (que são o foco esse ano).

Quando recebi os livros da parceria com a Novo Conceito, eu me apaixonei de imediato por todos! E veio aquela vontade gigante, que por umas semanas tinha quase sumido dentro de mim. Mas o que me fez começar a ler Playlist primeiro foi que, olhe só, o plano de fundo do livro era super musical, e acho que já está mais do que claro que eu amo música, demais. Além disso, a editora ainda teve o cuidado de mandar um fone de ouvido numa caixinha, o que eu adorei e como eu estava sem ler nada físico mesmo, estava aí a oportunidade perfeita.

A Playlist de Hayden não fala sobre um assunto leve, ou algo simples. Ela conta a história de Sam, um menino que está no colegial e que perde o melhor amigo (e único), Hayden, após esse cometer suicídio e deixar uma playlist cheia de significados para o amigo desvendar o porquê desse adeus tão traumático. Sam, por estar narrando tudo, deixa bem exposto seus sentimentos e, mesmo com esse tema tão complexo, a narrativa é daquelas que você lê várias páginas sem nem notar.

Após perder o amigo, Sam, se sentindo extremamente culpado, decide descobrir porque o amigo resolveu tirar a própria vida e deixar um monte de músicas aleatórias para trás. Durante todo o livro, cada capítulo é iniciado com alguma música - tem de todos os estilos, desde Skylar Grey até The Neighrborhood - e o especial é que essas músicas combinam com a atmosfera do capítulo. Sam fica muito perturbado com a situação, então entrar na sua cabeça pela narrativa era se ver cercada de milhões de perguntas e sentimentos difíceis de se lidar.

Aos poucos, vão entrando as ramificações da história, com novos personagens, como Astrid, uma menina super diferente e esquisita que, de alguma forma, era amiga de Hayden também, mas que Sam nunca tinha conhecido, além de toda sua turma de amigos, todos com alguma profundidade inesperada. Astrid é uma personagem bem interessante e me fez pensar nessa observação: notaram como ultimamente meninas diferentes e até então consideradas "estranhas" estão surgindo em diversos young adults, com papeis de destaque? Acho legal isso porque é alguém que, até então, era isolado num canto e considerado inapropriado para um livro "bonitinho" de adolescente.
Pensei por um minuto sobre a crescente lista de pessoas que se sentiam responsáveis pela morte de Hayden. Todos nós estávamos certos e todos estávamos errados ao mesmo tempo. E, por fim, foi Hayden quem tomou aquela decisão. Foi ele quem deixou todos nós ali, tentando descobrir o que havia acontecido, impossibilitados de falar que sentíamos muito, para fazer a coisa certa. Eu jamais entenderia o quanto ele se sentiu ferido, confuso e desesperançado a ponto de decidir que não valia mais a pena tentar, e não estava irritado com ele por ele ter decidido fazer aquilo, mas jamais gostaria de sentir o mesmo. E também jamais gostaria de fazer outra pessoa se sentir assim. (pág. 277)
O grupo de amigos também é legal, mas infelizmente, mesmo que a gente conheça um pouco de cada um deles, eu queria que houvesse mais cena, porque o livro acaba se centralizando bem em três personagens: Sam, Astrid e Hayden, deixando em segundo plano a família de Sam: sua mãe e sua irmã, Rachel, de quem eu acabei gostando, porque evolui, assim como praticamente todos os personagens, ao decorrer da história.

Mas o que eu mais gostei da história, além da parte musical, é como a autora escolheu mostrar, bem claramente, o efeito que diversas ações podem causar em uma pessoa. O bullying também é muito abordado na história e é impossível não ficar revoltada com a forma que Hayden, principalmente, era tratado. Sam foi por muito tempo seu único salva-vidas, e é sensível notar que esse é um dos porquês da culpa ser tão forte para ele, afinal, em sua cabeça, ele poderia ter convencido o melhor amigo a mudar de ideia.

Mesmo que saibamos como a história de Hayden termina (de um jeito muito triste e trágico), é só aos poucos que vamos descobrindo todas as ligações que cada personagem tem com ele, talvez mais que com o próprio Sam. Em pedaços, nós vamos conhecendo a versão dos principais personagens da última noite de Hayden, e é interessante ver as peças sendo montadas e revelando um quebra-cabeça surpreendente.

É um livro que eu gostei bastante porque, apesar de escolher um tema complicado, consegue abordá-lo sem parecer clichê ou irreal. Ver as ações de cada personagem e imaginar como agiríamos na mesma situação com certeza foi algo que passou pela minha cabeça, mas mais que isso, a dor que perder alguém causa nos mais próximos, isso sim, me fez parar pra pensar, justamente porque foi um ato de suicídio. Mesmo assim, o livro não soa depressivo, em sua maioria. É sobre um menino, no final das contas, no meio do ensino médio, cuja vida sofre uma enorme mudança com esse acontecimento, mas que, como Sam mesmo diz, não deixa isso o impedir de seguir em frente.

Pra quem ficou curioso com as músicas que são citadas no livro, aqui tem todas!

P.S.: E essa capa tá um amor. Muito.

4 fones de ouvido


Autor(a): Michelle Falkoff
Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
Páginas: 288
Nome original: Playlist for the Dead
Coleção: -

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