[Resenha] Kiki Strike e a Cidade das Sombras, de Kirsten Miller


Nossa, há quanto tempo eu quero ler esse livro! No entanto, ele sempre estava num preço tão insano (uns 50 reais, se não me engano) que eu me recusava a pagar. Então, num dia comum, alguém quis trocar um livro comigo e bang!, consegui esse lindo livro nas minhas mãos.

A história é narrada pela menina de doze anos Ananka Fishbein, que não tem nada de mais, segundo ela própria, e vive uma vida de pura chatice. No entanto, tudo muda quando ela conhece a misteriosa/incrível Kiki Strike, que aparentemente estudava na mesma escola que ela, um lugar cheio de panelinhas e meninas ricas além da conta, na qual Ananka só pode estudar graças a herança que herdou do avô.

“- Você, no fundo – disse a diretora. – Não pense que pode se esconder. Diga-me. O que quer ser quando crescer?
- Perigosa – disse a menina escondida, sem um segundo de hesitação. Todo mundo na turma se virou para a carteira dela. Ali, atrás de  Lizzie, estava uma garotinha que ninguém se lembrava de ter visto antes. Por um momento eu tive certeza de que a ouvira mal.
- Desculpa – disse a Srta. Jessel com um sorriso complacente na cara. – Acho que eu e a diretora não entendemos o que você disse.
A menina fincou o pé.
- Quando crescer, quero ser perigosa.
A diretora e a Srta. Jessel trocaram um olhar.
- Qual é o seu nome, querida? – perguntou a diretora em um tom que indicava que ela ia ficar de olho na menina.
- Kiki Strike – respondeu a garota com simplicidade e, como se seguisse uma deixa, a sineta tocou.” (pág. 27)

Ao conhecer Kiki, ela acaba entrando num clube que a mesma criou, as “Irregulares”, um grupo de seis meninas, cada uma com um talento diferente: Luz Lopez, uma jovem aspirante a inventora, DeeDee Morlock, uma precoce cientista, Betty Bent, mestra em disfarces e Oona Wong, hacker. Com um grupo tão misto e, ao mesmo tempo, tão jovem, era óbvio que o que Kiki queria era algo grande e importante e requeria pessoas especiais.

Aos poucos, elas conseguem juntar pistas e desvendam o mapa de uma cidade inteira construído embaixo de Nova York, a “CIDADE DAS SOMBRAS” do título. Na verdade, essa cidade era o lar, há muitos séculos, de vadios e bandidos, e esconde grandes riquezas. Além do mais, você pode ir pra qualquer lugar da cidade usando uma passagem dela.

“A maioria das pessoas acha que os mapas são instrumentos simples que podem guia-las de um lugar para outro (É claro que estas tendem a ser os mesmos idiotas que lhe dirão que os disfarces só devem ser usados em festas a fantasia e que todas as histórias boas têm uma moral.) Mas para os que conhecem a maneira certa de ler os mapas, eles podem revelar segredos extraordinários. Até o mapa rodoviário mais comum pode lhe mostrar onde encontrar cidades-fantasma poeirentas, passagens perigosas pelas montanhas e pântanos cheios de orquídeas raras. Mas também existem ouros tipos de mapas – mapas que podem levar você a minas de ouro ocultas, cidades maias perdidas ou às cavernas na floresta do Oregon onde mora o Pé-Grande.” (pág. 245)

A história é muito bem contada e, apesar de ser claramente surreal pra caramba, ela é bem divertida. Claro que eu, tendo 17 anos, provavelmente não gostei tanto quanto se tivesse lido numa idade mais próxima das protagonistas, mas mesmo assim, é uma aventura muito diferente do que meninas de 12 anos costumam viver. O mais interessante (além da própria Kiki, que, apesar de conseguirmos algumas informações ao longo da história, é o constante x da equação) é ver como seis meninas que, apesar de possuírem certas qualidades diferentes, conseguem ir tão longe!

Além disso, o clímax da história também foi bem feito, algo que eu não tinha esperado até então, então, adorei! A narradora (que não é bem uma protagonista, visto que não conta só sua história e sim da sua participação nas Irregulares), Ananka, também é bem interessante. Apesar de não ter nenhuma qualidade que destaca aos olhos na hora, Ananka é muito inteligente e sabe de coisas que as outras jamais pensariam, afinal, ama ler e também é uma ótima armadora de planos. Foi bom ver que, mesmo com a pouca idade, as meninas ainda podem ser inteligentes e, EI!, não pensarem apenas em meninos e tal.

“- Eu ainda não sei por que devo confiar em você – repeti.
A resposta de Kiki for curta e grossa.
- Não confie em mim, Ananka – disse ela. – Confie em si mesma.
As portas do elevador se abriram e Kiki desapareceu.
Pensei que estivesse brincando, até que percebi que era um excelente conselho. Embora sempre se falasse nisso como uma piada, havia uma forma peculiar de percepção extrassensorial conhecida como intuição feminina. Toda mulher na terra nasce com ela. Para falar com simplicidade, a intuição feminina é uma voz dentro de sua cabeça que sussurra que seu novo namorado pode ter más notícias, que você não deve pegar o atalho por aquele beco escuro, ou que sua irmã andou mexendo nas suas coisas de novo. Se você aprender a presta atenção à voz, provavelmente vai descobrir que em geral acerta. É claro que não estou sugerindo que todas as mulheres tenham poderes sobrenaturais. Infelizmente, só algumas de nós preveem o futuro ou leem a mente das pessoas. Mas prefiro prensar que o resto de nós é de detetives naturais. Ao dar atenção aos pequenos detalhes, percebemos quando uma coisa não está muito certa – mesmo que não possamos apontar precisamente o que é.” (pág. 272)

Claro que não discrimino quem faz isso, mas atualmente, há tantos livros que fazem as meninas parecerem trouxas atrás de uma paixão que ver um que elas são inteligentes, independentes (até demais, eu diria, pela quantidade de coisas que aprontam, mas conseguem passar ilesas) e simplesmente legais.

Se você adora uma aventura, de qualquer tipo, e adora Nova York, não tem erro: esse livro vai ser ótimo. E, como eu já disse, as últimas páginas foram ótimas, abrindo caminho para o segundo livro, que já foi lançado no Brasil há um tempinho. Por isso, recomendo muito pra vocês, como uma bela diversão nas férias.


Autor(a): Kirsten Miller
Editora: Galera Record
Ano: 2006 (original) - 2007 (Brasil)
Páginas: 387 (original) - 448 (Brasil)
Nome original: Inside the Shadow City
Coleção: Kiki Strike, #1

Um comentário:

  1. oi Isabella!
    Acho terrível quando eles colocam esses preços exorbitantes nos livros =/ mas que bom que conseguiu ele! Apesar de diferente, achei demais a história, não conhecia esse livro, mas fiquei com bastante vontade de ler, adoro uma aventura e já li muitos livros que se passam em Nova York e já to familiarizada com a cidade ahahahaahaa E gostei também desse diferencial, delas serem inteligentes, esses livros de meninas bobinhas e amores de corredor de escola já foi pra mim ♥ otima resenha linda!
    Bjus bjus!
    Pan
    Pan's Mind - [Pitaco Literário #09] - De Repente, o Destino - Série Wild Ride To Love!

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