[Resenha] Nada Dramática, de Dayse Dantas


Eu sou uma leitora fiel do blog onde a Dayse costuma escrever, o Nem Um Pouco Épico, além de acompanhar, há certo tempo, seu twitter e sua animação para conversar sobre os mais diversos assuntos. Por isso, quando saíram as primeiras notícias de seu livro sendo lançado pela Gutenberg, vocês podem imaginar minha animação: eu quero todos os livros que blogueiras que, como ela, conseguiram publicar nos últimos anos. Infelizmente, só em 2015 surgiu a oportunidade e posso dizer de antemão: é impossível não se contagiar com a história.

Camilla é uma adolescente do último ano do colegial, muito dedicada aos estudos, mas também apaixonada por escrever suas próprias histórias. Ela é uma menina muito inteligente, sarcástica e divertida, porque seu humor é algo natural e, apesar de não parecer ser a pessoa mais amigável do mundo, é impossível não querer virar sua amiga e apoiá-la. É muito legal ver sua vida porque é algo de fato real e ao mesmo tempo, super interessante. Camilla passa por algo que a maior parte dos jovens brasileiros já passaram, passam, ou passarão, e ela sabe narrar sua história como só uma escritora nata conseguiria, tornando as páginas fáceis de serem lidas. 
Basicamente tenho vontade de sair do que é pequeno, tenho vontade do que é maior. Mesmo que no fim tudo acabe sendo a mesma coisa, pelo menos será a mesma coisa em um lugar diferente. Se é que faz sentido. (pág 24) (esse quote me resume TÃO bem)
 Toda a atmosfera escolar, assim como seu grupo de amigos, é muito abordado na história e é algo que eu gostei muito porque eu conseguia me imaginar nas situações em que ela estava, até porque ano passado eu estava no último ano da escola, sentindo as mesmas pressões e saudades que a Camilla narra para a gente. Em muitos pontos, eu a achei parecida comigo, o que só ajudou no desenvolvimento da história como um todo.

Eu também adorei conhecer seus amigos e sua família, como a Carol, a Marcela, o Thiago e o João. Confesso que houve umas histórias dele que eu gostaria de saber a resolução (Thiago!!!), mas eles todos são tão legais que dá vontade de colocar todos dentro de um potinho e guardar para mim – mas não vou fazer isso e sim indicar o livro para vocês, porque eu sou uma pessoa boa. A parte familiar da Camilla também é uma parte muito importante na sua vida, tanto que a influência dos pais afetam sua personalidade diretamente, como a vontade de lutar contra coisas injustas e, numa forma delicada, nos fazer pensar sobre como coisas cotidianas na nossa vida, que nós já aceitamos como normal, são bem desgastantes – o próprio processo do vestibular, a maneira como não só os estudantes mas os pais também encaram isso como a única maneira de ser bem-sucedido na vida e a pressão em saber o que queremos fazer da nossa vida com apenas 17, 18 anos. 
- Parece que alguém está com uma paixonite? – ele me acusa um pouco vermelho, e eu reviro os olhos.
- Obviamente estou – falo sarcasticamente. – Único motivo de eu achar qualidades em um menino é, claro, meu desejo violento pelo seu corpo. (pág. 186)
É claro que também tem um pouco de romance na história, desenvolvido aos poucos e que, para mim, poderia até ter ocupado mais espaço, mas eu gostei tanto do casal que foi bom o tempo que tive como leitora com eles. Além de nos deixar pensando em como será dali para a frente a vida dos personagens e como tudo será resolvido, claro.

Por esse e tantos motivos, Nada Dramática, além de ser um dos meus livros favoritos do ano, sem dúvida é um nacional que eu guardo com muito carinho, e o fato de apresentar uma realidade tão próxima a mim certamente é um dos motivos. Dayse se revelou, além de uma mulher muito divertida e interessante, ter um dom para falar sobre e para jovens e adultos, conquistando leitores com uma narrativa pra lá de deliciosa. Quero novos livros pra já! (por favor, nunca te pedi nada! Hehe) 
(SÓ LEIA SE JÁ LEU O LIVRO) Não quero ser daquelas pessoas que crescem e olham para essa época com condescendência. Eu não quero diminuir tudo que eu passei nesses últimos três anos, mesmo que eu acabe encontrando obstáculos mais intensos no futuro. Eu quero para sempre lembrar que essa foi uma época difícil, e frustrante, e legal, e idiota, e louca, e tudo quanto é tipo de adjetivo que existe por aí. E não quero só lembrar com nostalgia que nem o povo gosta de ficar fazendo. Eu quero manter tudo bem vivo, tudo bem real, na intensidade verdadeira das coisas. Não quero que fique preso na minha memória como uma época de completo pesadelo, ou uma época de bela juventude, eu quero tudo junto, tudo que foi. Mas a cada segundo que eu tento lembrar, menor as coisas parecem ficar, como se eu estivesse em um balão subindo e subindo, e olhando para minha casa, tentando reconhecê-la em meio ao mundo, mas por mais que eu tente focar, ela acaba se misturando com todo o resto. (pág. 319)
 P.S.: Se possível eu também quero um livro solo da Agente C, porque sou fã de agentes secretas desde que eu era pequena e acho maravilhosa a ideia de um livro com uma tão legal como essa.

5 revoluções escolares

Autor(a): Dayse Danttas
Editora: Gutenberg
Ano: 2013
Páginas: 320
Nome original: -
Coleção: -

3 comentários:

  1. Sua resenha me deixou ainda mais com vontade de ler, fiquei super empolgada quando postaram no Nupe que a Dayse iria lançar o livro, mas acabei não priorizando a compra e esqueci... agora a vontade voltou! Haha bjus e parabéns pela resenha!♥

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