Eu estava louca pra ler esse livro desde antes de lançar aqui no Brasil, então fiquei animadíssima quando a Rocco publicou (mesmo sendo a Rocco e o preço sendo salgado). Minha prima acabou comprando antes de mim e, num ato de pura bondade (tenho que escrever isso, caso ela venha a ler a resenha! Haha), me emprestou, antes mesmo de ler.

E, *suspiros* *awn* *suspiros de novo*. Eu não podia ser mais grata!! Deixe a neve cair é um livro com três contos, todos interligados e que se passam ao redor da mesma pequena cidade da Carolina do Sul. É envolvente, meigo e com aquela aura de Natal que todos nós amamos, muito. Por ser três contos, vou opinar sobre cada um deles e depois, fazer um balanço sobre o livro em si.

Primeiro conto: O expresso Jubileu, de Maureen Johnson.
O meu conto favorito, escrito pela mão divina da Maureen, é o que tem a melhor narrativa e uma das melhores protagonistas: Jubileu é divertida, engraçada e, apesar de ter em alguns momentos um gosto questionável e uma visão meio embaçada, é muito legal. Stuart, o cara que a ajuda após seu trem empacar numa cidadezinha por conta de uma nevasca, é maravilhoso. Melhor que esses bad boys, Stuart é atencioso, divertido e nem muito nerd, além de não ser ruim de olhar. O relacionamento deles é construído de uma maneira linda, que me fazia suspirar, sem, no entanto deixar a ótima narrativa melosa. É o tipo de conto que você fala “Como eu queria que fosse um livro!”, pois se apega aos personagens. 5/5

Segundo conto: O Milagre da Torcida de Natal, de John Green.
John Green é, quase sempre, garantia de uma narrativa bem feita e esse conto não é exceção. Tobin, Duke e JP são melhores amigos desde sempre. Tobin, o narrador, é, apesar de ser meio irritante, um bom personagem. JP é o melhor do livro, um tipo de personagem que já apareceu nos livros de John e que é sempre ótimo, o melhor amigo para todas as horas, divertido e meio louco. Duke é a única menina do grupo e é uma das personagens femininas que mais gostei no livro. A única coisa que eu não gostei muito nesse conto foi que, por conta da história dele, infelizmente não teve muitas ligações com o conto anterior. Mesmo assim, é muito bonitinho, com personagens ótimos e sim, apesar de eu já esperar o final, John o construiu de uma forma muito bem-feita. 4.5/5

Terceiro conto: O santo padroeiro dos Porcos, de Lauren Myracle.
A única autora que eu não conhecia, Lauren teria a difícil tarefa (pelo menos para mim) de fechar o livro. Narrado dessa vez por Addie, uma menina que acaba de terminar um namoro que significou muito para ela, a história não me parecia muito promissora nas primeiras páginas, mas depois, subiu ao nível dos contos anteriores. O que mais gostei nessa história, além do nome peculiar, foi que Lauren caprichou para que, no último conto, nós tivemos todas aquelas interligações necessárias e maravilhosas que esses livros de contos possuem. Sabe aquela coisa: “Ei! Eu e lembro disso no outro conto!” ou “Ah! Você é ela, então!”? Exatamente. A narrativa não foi tão legal quanto a de Maureen, em parte por Jubileu é uma protagonista bem mais legal que Addie, que possui seus momentos egoístas, mas no final, percebe os erros. Mesmo assim, gostei muito dessa história, à sua maneira. 4.5/5

Deixe a neve cair é um livro que encanta, alegra e faz qualquer um suspirar. É um livro fofo, bem escrito por mãos muito talentosas e que vale muito, muito a pena ler. Aliás, eu não ligaria se lançassem outra versão desse livro, talvez com outros autores, porque foi um livro que eu gostei muito e recomento extremamente para vocês!!


Autor(a): John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle
Editora: Rocco
Ano: 2008 (original) - 2013 (Brasil)
Páginas: 352 (original) - 336 (Brasil)
Nome original: Let it Snow
Coleção: -

Há muito, muito, muito tempo eu queria ler esse livro. O esquisito? Eu o tenho na minha estante há uns três anos, mas sempre acabava enrolando pra ler, por algum motivo desconhecido. No entanto, aproveitei as férias e, finalmente, dei uma chance a distopia de Scott Westerfeld, da qual já ouvi tanto elogios quanto críticas.

Tally é uma feia prestes a completar 16 anos, que só consegue pensar em fazer a cirurgia que a transformará em perfeita e assim, poderá se juntar com seus amigos e, principalmente Peris, seu melhor amigo, e começará de verdade a viver. Tudo muda quando ela conhece Shay, uma feia da mesma idade, que não quer fazer a cirurgia e, na noite antes do aniversário de ambas, foge para a Fumaça, uma comunidade no meio da natureza onde os que são contra a cirurgia acabam indo. É aí que Tally tem sua vida mudada completamente ao conhecer as Circunstâncias Especiais, cheia de perfeitos aterrorizantes, e que só farão a cirurgia nela se ela conseguir achar onde a Fumaça fica.

O livro tem um começo bem lento, achei, talvez um dos motivos para que eu tenha demorado a lê-lo foi que os primeiros capítulos eram bem introdutórios. No entanto, conforme vemos a amizade de Shay e Tally crescendo, a chegada do aniversário de 16 anos e, finalmente, quando as coisas começam a ficar complicadas, é aí que entramos de vez na história. Tally é uma protagonista inteligente, esperta, boa em aprontar coisas na Vila Feia, onde mora, mas aos poucos, dá pra ver que ela se torna mais do que isso, conforme vai descobrindo o que o governo, que tanto achava que era maravilhoso, é na verdade cruel e drástico. Gostei dos personagens num geral, mas senti falta de uma maior empatia com os outros, tirando a protagonista, que eu gostei e torcia por.

Aliás, por ser um livro distópico, a sociedade como plano de fundo é fundamental. Em Feios, nós descobrimos em parte como o mundo se tornou o lugar que é na história, mesmo que não tenhamos nada concreto. Aliás, uma coisa que eu pensei nesse livro e que costumo não achar em outros livros foi que esse, mais do que todos os outros distópicos que já li, é o que eu poderia mais chamar de “racional”.

Sim, é loucura que todos tenham que fazer certa cirurgia que os mudará totalmente com certa idade, mas é possível entender por que há essa “necessidade” de igualdade, afinal, vivemos num mundo que as diferenças de etnias, classes sociais, aparências, influenciam muito no relacionamento das pessoas, então é, pelo menos na teoria, lógico tentar fazer as pessoas mais iguais. Claro que, como até mesmo Tally aponta no livro, por que não simplesmente deveria haver uma reeducação no pensamento, de modo a não julgarmos imediatamente as pessoas?

Mesmo assim, por o argumento da atual sociedade ser bom dessa forma, achei um pouco falho o porquê de algumas pessoas serem tão contra a cirurgia, no começo da história, mas Scott não me decepcionou, construindo uma história bem legal.

Algumas coisas que ocorreram eu já conseguia imaginar, afinal, eu sempre espero alguma grande surpresa, mas nem por isso o livro deixa de ser tão bom. Feios não é o livro que te pega de primeira, mas aos poucos, você se aproxima dos personagens e quer saber o que irá acontecer naquele mundo. O final é de deixar qualquer um louco pela continuação, Perfeitos, além de lançar mais alguns mistérios no ar, o que foi uma jogada legal do Scott.

O romance, que fica apenas sugerido em um primeiro momento, aos poucos se desenvolve entre Tally e ninguém menos que David, um feio que foi criado na Fumaça, do qual Shay gosta. Em si, com todos os motivos para não dar certo. No entanto, é um romance fofo de se ver, nada que me fizesse suspirar, mas é bonito ver como David aos poucos muda Tally, abrindo seus olhos para o que a cirurgia realmente significa: uma mudança não só de aparência, mas também de personalidade. Ele pode não ser meu personagem mais querido, mas é fundamental pra que Tally se dê conta da verdade.

Se você gosta de distópicos, transformações e todas essas coisas loucas e legais, Feios é um must-read. Se gosta de livros muito bons, também deveria dar uma chance.


Autor(a): Scott Westerfeld
Editora: Galera Record
Ano: 2005 (original) - 2010 (Brasil)
Páginas: 448 (original) - 415 (Brasil)
Nome original: Uglies
Coleção: Feios, #1
Meme semanal hospedado pelo Lost in Chick Lit, onde compartilhamos pequenas informações sobre a nossa semana literária. Tendo como principal objetivo encorajar a interação entre os blogs literários brasileiros, fazer amizades e conhecer um pouquinho mais sobre outras pessoas apaixonada por literatura. Tem interesse em participar? Saiba como aqui!

♥ Leitura do Momento:
- A Cidade dos Segredos, de Sasha Gould.
- Enders, de Lissa Price.
- Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

 Li Essa Semana:   
- Poseidon, de Anna Banks.
- Paixão sem Limites, de Abbi Glines.

Quando eu li a sinopse desse livro, eu esperava uma determinada história, mas assim que comecei a ler, fui surpreendida, porque a realidade é que essa sinopse nos mostra um pouco apenas do mundo em que se passa A Agenda.

Com uma narrativa ótima, rápida e ao mesmo tempo, nada ordinária, é fácil ler rapidamente o livro, mesmo que não seja recheada de acontecimentos emocionantes ou revelações surpreendentes. Achei isso um ponto positivo, afinal, é um livro sobre o cotidiano de pessoas normais e comuns e conseguir construir uma narrativa tão gostosa sobre um assunto que facilmente cairia no “tedioso” é um ponto positivo sobre a escrita de Varella.

A história em si conta sobre a vida de várias pessoas, que trabalham num escritório de uma importante empresa do ramo da educação, mas, mais especificamente sobre Sandra Macedo, uma executiva muito bem sucedida profissionalmente, mas com uma vida pessoal terrível, afinal, não é próxima da própria filha e seus relacionamentos amorosos são todos supérfluos e passageiros.

Além da história de Sandra, somos apresentados a Carrano, um homem que adora escrever e com uma condição de vida precária, vivendo com seu sobrinho, uma criança inteligente e esforçada. Aparentemente a história dos dois jamais se cruzaria, vista a condição de cada um, mas graças a uma agenda – sabiamente colocada como o título – duas pessoas de mundos diferentes se conhecem.

A escrita de João Varella é, sem dúvida, a melhor parte desse livro. Ele consegue dar um tom leve e ao mesmo tempo consciente, aos acontecimentos do livro, sem de fato julgar ou querer pegar o caminho fácil. O prefácio é uma grande explicação dessa habilidade de Varella, aliás, tudo o que lemos lá faz sentido após terminarmos a leitura do livro.

Varella não espera um mundo perfeito, com pessoas que mudam por amor, ou que se tornam melhores. Ele encara o mundo como ele é, ainda, infelizmente, mas longe de ser uma narrativa melancólica e depressiva, A Agenda é um livro muito interessante que pode revelar mais sobre nós mesmos do que pensamos.


Autor(a): João Varella
Editora: Novo Conceito
Ano: 2013 (original)
Páginas: 240 (original)
Nome original: -
Coleção: -

Uau, finalmente consegui ler esse livro! Ainda lembro-me da primeira vez que ouvi falar dele, das resenhas positivos (não sei por que, mas sempre lembro do maldito cisne! *referências*), da capa terrível da primeira edição e, finalmente, no meu aniversário em 2013, acabei ganhando outro livro do John que já tinha e, duh, troquei por esse que queria tanto ler.

Na realidade, eu sei que ficar falando de outras coisas sem sentido na resenha é meio ~chato~, mas nesse caso, eu queria comentar uma coisa. No dia que fui no shopping, logo depois de eu ir à livraria pra trocar o livro, fui no Burguer King (porque, né, amo forte) e o atendente, simpático, me perguntou se era um livro aquilo que eu lia enquanto minha mãe pagava (sim, porque eu já estava lendo). Falei que sim, e gente, o mais curioso foi sua reação: “O quê? Como assim? Pra quê você tá lendo esse livro? Pra que você tá lendo?” e, mesmo eu explicando por que ler é tão bom e que, às vezes, pra se apaixonar só precisa de um empurrãozinho, ele não acreditou em mim, mas espero, no fundo do coração, que ele tenha mudado um pouquinho de ideia e, uma hora, quando passar na frente de uma livraria, queira entrar.

Mas enfim, desculpas, mudei o assunto completamente, mas É ISSO que acontece quando eu resenho um livro do John! Muitos assuntos! Enfim. Quem é você, Alasca?, pra quem não sabe, é o livro de estreia do autor e, já nele, nós podemos saber porque os americanos passaram a amá-lo tanto depois de ser publicado. A história conta, basicamente, sobre Miles, um menino normal, mas que é viciado em últimas frases, e que resolve mudar de escola para, quem sabe, fazer amigos, indo estudar num internato que o seu pai estudou quando tinha sua idade.

Além dele, temos Alasca (DUH), Coronel e Takumi, os amigos que Miles faz enquanto estuda por lá. Cada um tem sua característica e eu acabei gostando de todos, mas principalmente, do Coronel, porque ele me passou uma sensação de inteligência e perspicácia que amo nos personagens. No entanto, não posso negar, Alasca é a personagem destaque do livro. Miles, em pouco tempo, passa a gostar dela, mesmo ela sendo comprometida, afinal, ela é interessante, agitada, inteligente e o trata super bem.

A narrativa é bem gostosa, principalmente porque Miles é um personagem curioso, o que torna seus comentários ótimos, principalmente os relacionados às últimas palavras das pessoas. É um livro divertido, sim, mas, além disso, ele quer algo a mais. Ele não trata os adolescentes só “no papel” e, pelo que eu senti, procura mostrar o que nós realmente somos e, diante de algumas situações improváveis (mas que infelizmente acontecem), como reagimos. É, sem dúvida, um livro tocante, de uma maneira nada clichê ou melosa, porque o autor soube dosar de uma maneira certa diversos assuntos, comuns a nós, adolescentes.

Quem é você, Alasca? não faz apenas essa pergunta a Alasca, e sim a todos, principalmente ao próprio protagonista, que, indo atrás do “grande talvez”, acaba encontrando consigo mesmo. O mundo não é perfeito, tudo é passageiro, mas o que esse livro me fez pensar? É que, mesmo assim, as coisas mais simples são incríveis (sim, eu falo coisas meio loucas, obrigada).


Autor(a): John Green
Editora: WMF Martins Fontes
Ano: 2005 (original) - 2013 (Brasil)
Páginas: 221 (original) - 229 (Brasil)
Nome original: Looking for Alaska
Coleção: -