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Vou confessar pra você, eu não queria ler esse livro. Por vários e vários motivos. O primeiro é que quem já tinha lido (leia-se minha irmã e minhas amigas) não tinha gostado muito e o segundo, é que era leitura "obrigatória". Não sei se vocês entendem, mas eu detesto, com todas as letras, ler por obrigação. Ler é uma coisa que deve fluir naturalmente, que a gente deve ter prazer fazendo! Na minha opinião, se é pra colocar leituras obrigatórias na escola, é bom colocar alguns clássicos, mas algo atual também faz bem, certo? E não que o assunto desse livro seja bobo, o problema não é o livro. O problema é a maldita leitura obrigatória! Enfim, por esses dois motivos minha animação para com esse livro estava entre pouca e nenhuma. Comecei a ler nas férias, pra ver se o espírito feliz delas me ajudava, e, de certa forma, o livro me surpreendeu.

Com todos os pontos negativos que eu mostrei aí em cima, vocês estão crentes que eu odiei, né? Mas não foi assim (pra minha própria surpresa). A história tem um plano de fundo muito interessante e importante, que é a AIDS, uma doença que não tem cura atualmente, muito famosa, mas que na verdade, pouca gente conhece realmente. Ainda mais pela visão de uma jovem, uma garota que pega a maldita doença com 15, 16 anos. Esse é um dos pontos positivos; foi muito legal e gentil da parte da autora - que é a Valéria do livro, caso vocês não saibam - escrever o livro, numa tentativa de abrir a cabeça dos jovens e não as pernas rs. Ela não dá lição de moral, não fala: "Não transem! Guardem sua virgindade até o casamento!" ou qualquer coisa assim. Acho que isso ocorre principalmente porque ela sabe como é ser jovem, como é querer fazer coisas assim. Não que as outras escritoras não saibam mostrar como a vida do jovem é, mas vocês me entenderam, certo? Alright, vamos seguir em frente.

Valéria é uma garota jovem de 15 anos, rica e que tem vários amigos, além de uma vida social bem agitada. Numa das viagens que faz com a família, num navio, ela conhece o X (ela não fala o nome do cara no livro, acho que é pra "preservar a identidade"), um jovem de 25 anos e começam a namorar. Passados alguns meses, o cara começa a fazer pressão nela e Valéria, com medo de que ele fizesse com outra ou coisa, não sabe o que fazer. Um dia desses, eles ficam juntos... mesmo que Valéria ainda não tivesse certeza se queria ou não. Algum tempo depois, o idiota começa a bater nela, ameaçá-la, mas ela não conta nada pra família, até que eles descobrem por si próprios.
Nas vésperas de ir para os Estados Unidos para passar um tempo com seus tios em Nova York inveja básica aqui, ela vai ao médico e descobre ser portadora do vírus HIV. E muitas outras coisas acontecem, parece ser um livro pequeno, mas há bastante acontecimentos! Por isso, paro por aqui. Não ter noção do enredo foi uma das melhores coisas do livro ;)

Vamos imaginar como a vida da V. ficou agitada depois que descobriu isso... Pra mim, é algo quase impossível, afinal, nunca passei por situação parecida, ou ninguém que conheço. Mesmo assim, eu até que gostei da narrativa dela (em 1ª pessoa, no passado), apesar de achá-la um pouco chata no começo - não me levem a mal, mas logo após descobrir que tinha AIDS, ela ficava pensando somente: "Quando vou morrer? É amanhã? Ah, não vou assumir compromisso nenhum, posso morrer amanhã!", mas eu dei um desconto, porque aqui no Brasil, na década de 80, 90, as coisas eram bem diferentes e tudo associado com AIDS era automaticamente associado com morte. Por isso ela tinha a mente tão deprê, não queria se estabilizar em nada.

Os personagens são vários, a Valéria faz muitas viagens, conhece muita gente e cada um que encontra deixa um pouco da sua cultura e do seu raciocínio com a protagonista - há uma passagem que eu acho linda dela comentando sobre isso, sobre como não devemos ficar tendo preconceitos, julgar as pessoas apenas pela roupa que usam, pela religião que seguem... foi muito boa!

O final do livro foi o que me pegou de jeito. Eu realmente gostei dele, não foi um daqueles finais felizes improváveis, foi real. Foi uma grande surpresa para mim e, apesar de eu ainda não ter amado o livro, ainda não achá-lo a melhor coisa do mundo, me ajudou a aprender coisas muito úteis e boas para a minha vida.

Obs.: sabe o que eu achei mais legal? É que livro foi tão recebido que foi para vários outros países, como a Itália, a Alemanha, Portugal, a Espanha... bom, né?

Nota geral: 8,5 (ou 3 estrelas)

Autor(a): Valeria Piassa Polizzi
Editora: Ática
Ano: 2006 (minha edição, não achei a data da 1ª)
Páginas: 279
Nome original: - 
Coleção: -


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