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Quem não curte, pelo menos um pouco, o verão? Confesso que minha estação favorita, de longe, é a primavera, mas o verão, apesar dos seus dias extremamente quentes e cansativos, também tem sua beleza: belos dias de sol, chuvas rápidas e refrescantes e aquela sensação de férias.

Por isso, quando outro dia vi a Pâm fazendo essa tag, eu imediatamente pensei: que ótima ideia! Não sei exatamente quem foi que criou, mas a Pâm que traduziu as perguntas para o português... Então lá vamos nós!

1) Qual capa faz você pensar no verão?

Meu primeiro livro com a Lisa Gardner foi uma ótima experiência, porque ela tem um dom de criar casos muito bem feitos, com resoluções legais e, além disso, geralmente tratam de assuntos bem diferentes, o que torna tudo mais interessante.

Em Esconda-se, há, novamente, uma divisão de histórias, que depois se cruzam: a da sargento D. D. Warren (a protagonista da série), que se depara com um caso pra lá de esquisito, ao encontrar uma cova no terreno de um antigo hospício em Boston com seis corpos de meninas. Annabelle, uma moça que sempre esteve fugindo, sem nem ao menos saber do quê. Bobby, o novo detetive da polícia, amigo de D. D., que é chamado por ela ao caso.

A história se desenvolve sem pressa, como já é característico da Lisa, mas nem por isso significa que é arrastada. Pelo contrário, por ser feito sem muitas informações em poucas páginas, temos a oportunidade de ver um caso com detalhes bem pensados surgir aos poucos. O que eu gosto do jeito que a autora escreve, além dela dividir as histórias e depois interliga-las, o que eu acho super legal, é que nós temos a oportunidade de vermos um pouquinho da vida pessoal de cada um dos personagens principais, o que os torna mais reais, mais próximos. Não sei vocês, mas tá aí uma série que seria legal ver um seriado de TV baseado (viajei, eu sei, mas gente, ia ser legal!).

Eu não tinha gostado muito da D. D. no livro passado, mas achei que nesse ela está mais humana, mais legal. Além disso, o Bobby também é um personagem bem interessante, corajoso e com um passado que, apesar de não ser totalmente revelado nesse livro, eu gostaria muito de saber mais. Annabelle, por sua vez, é uma personagem curiosa. Eu ficava o tempo todo pensando em todas as perguntas que estão sempre à volta, como o porquê da fuga constante dela e de seus pais e, quando finalmente descobrimos as respostas, apesar de eu ter algumas suspeitas, eu sempre fico feliz, porque sempre tem algo a mais que eu não tinha pensado (pois é, eu gosto de ser mais burra que o autor em livros de suspense, porque senão perde a graça, né?).

Nesse caso, por exemplo, além do caso principal, nós também conhecemos outros casos, que podem ou não ter ligação com o principal, mas mesmo assim, vale a pena só por saber, porque a Lisa tem essa coisa de conseguir contar uma história de suspense sem deixar na cara o culpado e, mesmo assim, nos dar a história do crime muito bem, tanto que minhas partes favoritas sempre são as que têm mais informações sobre isso (e não necessariamente a revelação, apesar de que é legal essa parte também).

Portanto, se você gosta de um bom suspense, não tenha dúvida: Lisa Gardner não vai te decepcionar; pelo contrário, provavelmente vai te deixar com mais vontade de ler os livros dela!


Autor(a): Lisa Gardner
Editora: Novo Conceito
Ano: 2007 (original) - 2013 (Brasil)
Páginas: 313 (original) - 400 (Brasil)
Nome original: Hide
Coleção: Detetive D. D. Warren, #2

Três mulheres. Três vidas completamente diferentes. Uma delicada conexão.

Viva para contar é um livro diferente, um suspense diferente. Ele começa nos contando a vida de três mulheres, D. D. Warren, uma policial sarcástica, meio mal-humorada e sem sorte com homens; Danielle, uma enfermeira que há muitos anos atrás, teve toda a sua família assassinada pelo próprio pai e, desde então, tenta recolher os pedaços. Ela trabalha num clínica de psiquiatria infantil, enfrentando situações difíceis todos os dias. E, por fim, Victoria, uma mãe dedicada, boa e atenciosa. E o suspense começa quando uma família é novamente assassinada por completo, lembrando a polícia do caso de anos atrás, de Danielle.

“É meio parecido com uma contagem regressiva, exceto pelo fato de que você nunca chega ao fim. Cada dia é tão ruim quanto o anterior. Você simplesmente começa a aceitar que a vida é assim mesmo, ruim de uma forma geral.” (pág. 8)

 O suspense é muito bem contado, cheio de reviravoltas, suspeitos que na verdade não possuem culpa e crianças que, apesar de tão pequenas, já são problemáticas. Lisa escolheu um assunto muito difícil de escrever, crianças psicóticas. É tão difícil falar disso porque na verdade nem os próprios médicos sabem ao certo por que isso acontece. Por que uma criança é tão adorável e fofa num momento e, no seguinte, está com uma faca perseguindo a mãe pela faca, ameaçando mata-la? Ninguém entende ao certo. Me arrepiei lendo esse livro porque era algo tão... Duro, mas verdadeiro. Eu simplesmente ficava sofrendo, tanto pela família, quanto pela criança. Victoria, que é mãe de uma dessas crianças, Evan, nos mantém ligados a como é a vida de uma pessoa nessas condições. E é algo sofrível, que ninguém deveria passar. Ninguém. Principalmente uma mãe tão amável quanto a Victoria.

 Danielle também é um grande enigma, até mesmo para si. “Por que meu pai não me matou?” é a grande pergunta da sua vida e, por mais que finja ser normal, em alguns momentos é impossível não voltar a esses pensamentos. Ela tenta ser alguém comum, mas está marcada para sempre. Eu gostei dela, mesmo assim, mesmo sendo alguém tão fora da minha realidade. E temos por fim, nossa protagonista, D. D. Warren. Curiosamente, foi a que menos gostei. Eu a achei meio arrogante, metida a besta... Não foi com a minha cara. Claro que não há dúvida que ela deve ser muito boa como policial, mas, sendo que a série é dela, isso foi um pouco decepcionante, essa falta de empatia pela protagonista.

“- Dificuldade para resolver problemas de maneira satisfatória. Essa é a definição de um assassino. Um homem quer o divórcio, mas não quer perder metade de seu patrimônio. Assim, ele decide matar a esposa. Ele precisava matá-la? Haveria outras opções que poderiam resultar no fim do seu casamento e na preservação da sua conta bancária? É claro que sim. Mas assassinos não conseguem enxergar outras opções. É por isso que são assassinos.” (pág. 472)

 Num geral, o livro é muito bom. A narração vai variando entre as três mulheres, o que é muito bom, pois com isso entramos nos três mundos – que são tão diferentes! Os que mais gostei foram o da Victoria e da Danielle, apesar que era legal ver as cenas dos crimes que D. D. era responsável. Tem até um pouco de romance no livro (que achei regular, nada de mais) e uns comentários sarcásticos da D. D. que me fizeram ter mais fé nela como protagonista, porque penso que, em outras situações, ela deve ser mais legal.

Esse livro me surpreendeu muito, justamente por eu não saber ao certo o assunto que ele iria falar. Mas o modo de escrever da Lisa é bom, porque eu realmente fiquei curiosa em saber quem era o assassino (gostei da resolução, mas só fui desconfiar dessa pessoa bem perto da descoberta #soulerda) e, uma das coisas que mais amo, eu gostava de ler o livro. Então, pra quem curte um bom suspense, Viva para contar não vai te deixar na mão.
 

(Quatro estrelas - 9,0)


Autor(a): Lisa Garden
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012 (Brasil) - 2010 (Original)
Páginas: 479 (Brasil) - 400 (Original)
Nome original: Live to Tell
Coleção: Detetive D. D. Warren, #4








 
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